Leio 'A Insustentável Leveza do Ser' enquanto espero pela minha pizza. Dez minutos, disse a rapariga do balcão. Quantas palavras cabem em dez minutos? Depende das vezes que relemos as mesmas palavras, a mesma frase, o mesmo parágrafo. Depende do tempo que demoramos a absorver ideias tão próximas cujo embate é maior do que se as sentíssemos pela primeira vez. Leio enquanto espero por uma pizza que, daqui a dez minutos, levarei para casa, onde jantarei diversos parágrafos de várias páginas diferentes. E isso sim, é insustentável.
«Tomas ainda não sabia que as metáforas são uma coisa perigosa. Com as metáforas não se brinca. O amor pode nascer de uma única metáfora.»
domingo, 25 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
textos na DIF nº 75 - Junho/Julho 2010
Edição online em www.difmag.com.
Melt Project
Derrete-se na boa, mas não nas mãos
Há quem recicle, e há quem recicle à séria. O designer Rui Pereira elevou o conceito de reciclagem a um novo patamar e, com o seu Melt Project, propõe uma reflexão sobre a sociedade de consumo. Se o plástico é quem mais ordena, derreta-se o plástico. [...]
Pop Dell’Arte
Santo pop
Este mês, a palavra de ordem é pop. Não o “pop” de santos populares, mas de Pop Dell’Arte. Um dos projectos mais carismáticos da história da música moderna portuguesa está de regresso com um novo álbum de originais – “Contra Mundum”, lançado a 12 de Junho –, um disco que marca 25 anos de carreira da banda de João Peste. [...]
OSGÉMEOS+ Projecto CRONO
Entre a escada e a parede
A parede é a tela. A escada é o meio de lá chegar. Havendo tinta e inspiração, Lisboa vai ficando cada vez mais aberta à arte urbana. A prová-lo estão a primeira exposição de artistas de rua num museu – “Pra quem mora lá, o céu é lá”, dos brasileiros OSGÉMEOS – e o projecto CRONO, que já começou a dar um ar de sua graça em algumas ruas da cidade. [...]
Melt Project
Derrete-se na boa, mas não nas mãos
Há quem recicle, e há quem recicle à séria. O designer Rui Pereira elevou o conceito de reciclagem a um novo patamar e, com o seu Melt Project, propõe uma reflexão sobre a sociedade de consumo. Se o plástico é quem mais ordena, derreta-se o plástico. [...]
Pop Dell’Arte
Santo pop
Este mês, a palavra de ordem é pop. Não o “pop” de santos populares, mas de Pop Dell’Arte. Um dos projectos mais carismáticos da história da música moderna portuguesa está de regresso com um novo álbum de originais – “Contra Mundum”, lançado a 12 de Junho –, um disco que marca 25 anos de carreira da banda de João Peste. [...]
OSGÉMEOS+ Projecto CRONO
Entre a escada e a parede
A parede é a tela. A escada é o meio de lá chegar. Havendo tinta e inspiração, Lisboa vai ficando cada vez mais aberta à arte urbana. A prová-lo estão a primeira exposição de artistas de rua num museu – “Pra quem mora lá, o céu é lá”, dos brasileiros OSGÉMEOS – e o projecto CRONO, que já começou a dar um ar de sua graça em algumas ruas da cidade. [...]
Jeremy Dean
Uma carroça para o século XXI
O sonho americano está a mudar. Ou, pelo menos, há quem esteja a fazer por isso. É o caso do artista Jeremy Dean, criador de “Back to Futurama”, veículos ultra modernos, mas puxados por cavalos. [...]
quinta-feira, 24 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
podia jurar que ele cantava para mim, não fosse o sorriso terno preso numa letra imaginária
É praticamente meia-noite. O meu estômago já ronca depois de horas a fio sem meter nada que se veja no bucho. Não são horas de uma rapariga andar sozinha na rua, que diabo!, pensaria a minha mãe se me visse agora, ou o meu pai, ainda pior. Planos na cabeça para o dia de amanhã, tropeço neles enquanto atravesso a estrada - olho para um lado, olho para o outro, como se numa hora daquelas mais houvesse para além da fria aragem a arrepiar-me os pêlos dos braços. Endireito as costas e sei que, apesar de tudo, hoje foi um dia bom.
Faltam 5 minutos para chegar o eléctrico, dizem as luzinhas amarelas pontilhadas lá no alto. O 15, daqui a 5 minutos. Passa da meia-noite. E ele vem pelo passeio, bamboleante, de guitarra nos braços, calções largos e gorro apalhaçado na cabeça. Sorrio mal o vejo, e eis que lhe ouço os acordes. É uma guitarra ou um bandolim? Com esta idade já deveria saber a diferença. Parece-me um bandolim. Que se dane. Ele não está cá, fecha os olhos e toca, com o amor de quem acaricia uma namorada. E trauteia um suave e profundo "dairidaram dairidaré" com uma alegria apenas possível depois da meia-noite, numa paragem de eléctrico no Cais do Sodré. Eu entro. Ele entra a seguir. E toda a voz dele enche a carripana de madeira, indiferente aos solavancos. Chego ao Calvário e saio. Ele continua, de olhos fechados a cantar para dentro com toda a gana. E penso que também eu gostava de ser feliz daquela maneira.
Faltam 5 minutos para chegar o eléctrico, dizem as luzinhas amarelas pontilhadas lá no alto. O 15, daqui a 5 minutos. Passa da meia-noite. E ele vem pelo passeio, bamboleante, de guitarra nos braços, calções largos e gorro apalhaçado na cabeça. Sorrio mal o vejo, e eis que lhe ouço os acordes. É uma guitarra ou um bandolim? Com esta idade já deveria saber a diferença. Parece-me um bandolim. Que se dane. Ele não está cá, fecha os olhos e toca, com o amor de quem acaricia uma namorada. E trauteia um suave e profundo "dairidaram dairidaré" com uma alegria apenas possível depois da meia-noite, numa paragem de eléctrico no Cais do Sodré. Eu entro. Ele entra a seguir. E toda a voz dele enche a carripana de madeira, indiferente aos solavancos. Chego ao Calvário e saio. Ele continua, de olhos fechados a cantar para dentro com toda a gana. E penso que também eu gostava de ser feliz daquela maneira.
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