quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

de grau



De grau em grau
Se aquecem os corpos densos, tensos
De pura mistura liquefeita
Verdade polvilhada
Em silêncio, sobe a escada.

Quantos graus?
Quantos degraus?
Ganha-se o tempo, alento
Numa luz que se apaga
Um desejo que alaga.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

sunga, oh honey honey...


Imagem retirada de Modern Mechanix.

Depois do fogão Meireles, do micro-ondas Heitor e do frigorífico Zézito, em breve abrirei a porta de casa à Samsunga, a máquina que lava a roupa e não resmunga!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

entrudo



Vale a carne
Vale tudo
Ri, demente, o entrudo.

É folia
É prazer
Só não vale padecer.

É entrudo
É festejo
É libertar o desejo.

E a carne vale
Em sorriso louco
Num corpo que é sempre pouco.

último aviso para pagamento

Todos passam por mim hoje. Ou serei eu que passo por eles? Há pouco vi um homem-aranha no eléctrico. Abriu a boca e rugiu, como se fosse um dragão. Ui! Que medo! Está mais frio hoje, ou é o calor que me falta? Sento-me na praça, num banco vazio, rodeada de grandes palavras em ferro. Amor enferrujado. Escrevo um postal para entregar em mão. Não quero que as palavras se extraviem no caminho. Estico as pernas e vejo as nuvens. Não são as mesmas nuvens de há dias atrás. Falta-lhes a música. Haja música, então... Começo a ouvir, no silêncio de mim, o "shalalala" duma melodia. Passam todos por mim, hoje. O homem cego continua a tocar os únicos acordes que conhece, enquanto uma estátua humana arruma os pertences para ir em busca de melhor. Quando dobro a esquina, um velho de barbas olha para o vazio enquanto vai atirando para o chão rodelas de chouriço. Brotam como flores em redor. Passo por todos e logo me esqueço de cada um. Lamento informar... Vou só cair um bocadinho, para depois me levantar, está bem?

domingo, 3 de fevereiro de 2008

amor em cama[ra] lenta

Mergulhamos na pele, gesto que seduz
Cadência suave, de voz viva
Película cravada de luz.
A chuva devagar escorre lá fora
Enleiam-se abraços na melodia
Um vento leva as memórias embora.
Dormes. Ausente e puro
Sós, respiramos silêncio
Entrecortado por meigo sussurro.